Sinto sua falta, amigo imaginário


 Às vezes tento decifrar minha vida, mas sem perceber já estou pensando na vida alheia, mas é tão mais fácil entender o outro do que a mim mesma. Penso em cada detalhe do que faço todos os dias, querendo ao máximo compreender, nem que seja, o porquê da minha existência ou minha felicidade efêmera.
 Desde pequena sou manhosa, sempre fazendo birra e chorando pelos cantos, mas nunca chorava perto de alguém, explicar que meu coleguinha chamou-me de feia não seria agradável, um vitupério inimaginável. Mas quando isso me acontecia ia para o meu “mundo mágico”, falava com aqueles amiguinhos imaginários que na maioria das vezes era apenas o meu inconsciente, brincávamos de bonecas, e acabava esquecendo o que acontecera. Há algum tempo atrás tentei fazer o mesmo -mas sem as bonecas, claro-, ação inútil. Acabei que em vez de esquecer, lembrei-me mais ainda do que me perturbava e foi impossível conter-me, pus-me a chorar. Cheguei ao ponto de que me abrir para uma estranha com diploma de terapeuta é mais protetor do que brincar de boneca. Mas para o homem, hoje em dia, calmantes e remédios para dormir é melhor do que uma palavra amiga, ou um abraço qualquer.


                                                                   

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