Me encontrei novamente, naquele quarto branco, deitada naquela cama com detalhes de ferro, onde tantas promessas foram feitas, era frio o bastante para meu corpo tremer e a janela embaçar conforme o vento batia, dela vinha um barulho de dobradiças velhas. Era um lugar muito silencioso, silencioso o bastante para conseguir ouvir o meu coração pulsar, escutava também alguém se afastando, acreditava ser um idoso, já que conseguia ouvir o barulho de uma bengala batendo no chão. Senti um cheiro de flores velhas, lembrei que era daquele ramalhete de flores que tu tinhas me dado, infelizmente, elas tinham estragado, como o nosso amor.  Percebi como a vida era egoísta e que ela roubava as pessoas sem ao menos percebermos, a morte era sua aliada, e no final, perderíamos para ela também. Naquela noite, depois de muito tempo sozinha, percebi que estava mergulhada em um mar de mentiras, do qual jamais poderia fugir, nem com a tua companhia.

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