Senti aquele forte cheiro de álcool e então pensei para mim mesma “O que estou fazendo?” Era tarde demais, estava tonta, tonta o bastante para cambalear as pernas e enrolar a língua ao falar, ouvi o barulho de um carro, me tranquei no banheiro, não sabia ao certo quem era, esperei, era meu pai, abri a porta e tentei trocar uma ou duas palavras com ele, o cheiro de álcool em minha boca era forte ao ponto de ele conseguir senti-lo mesmo estando a uns dois metros de mim, ele logo perguntou o que acontecera, eu desabei. Acordei depois de umas duas horas em uma cama no hospital, estava recebendo soro de um lado e sangue de outro, tinham descoberto que eu começara a me auto-mutilar, eu estive em uma forte depressão após a morte da minha mãe e de uma das minhas melhores amiga, vi as duas se matarem na minha frente. Eu sabia que não iria aguentar, tinha certeza que dessa vez, eu não escaparia viva. Meu pai chorava muito, ele já tinha encontrado uma mulher e ela tinha dois filhos, dois belos meninos que o acompanhavam em tudo que ele gostava de fazer. Depois de uma semana, já tinha me recuperado e tinha voltado para casa, continuava a beber, tinha me envolvido com pessoas que não faziam parte do meu grupo, não ia mais para a escola, e me drogava na praça. Minha vida tinha mudado bruscamente. Procurei o arranha-céu mais alto que tinha na minha cidade, subi no terraço e fiquei lá, observando o voar dos pássaros. Eu sabia o que tinha ido fazer lá, todos sabiam, eu sabia que daquele dia eu não passaria. Subi na muralha de segurança, estava no vigésimo quinto andar, se eu pulasse, eu não escaparia viva. Olhei para baixo e senti um frio na barriga, mas era o certo a se fazer. Pulei, e nos meus últimos trintas segundos de vida, eu só consegui pensar em você.

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